sexta-feira, 18 de novembro de 2011

ABSTRATO

Uma não-história começa.
E existe.
A verdade a ameaça constantemente.
Mas a mentira não a reconhece.

Essa não-história se ramifica dentro do ser.

A vida está sempre à parte.
Mas a morte não parece existir.

Pelos ares, os sonhos
com toda a sua condição volátil
toda todo o campo de uma certeza.

Mas a dúvida arranha as portas de casa,
as paredes do estômago
e estas linhas.

A felicidade vinga.
Mas contra a vontade de todos, a tristeza também.

Mas a felicidade vinga!

Na bisca por fundamentos para tudo
a esperança entra em cena
mas tudo está tão esfumaçado
diante dos olhos.

Tão distante.

E o futuro?

Quanto ao futuro...
Quanto ao futuro...
Quanto ao futuro...

(R.Braga Herculano)

(Ainda sem título)

a nossa história pode morrer no hoje
que morrerá no amanhã
que nascerá sabendo
antes da hora
antes da história
tomar o seu rumo
como obra acabada do tempo
que com seus braços abraçam
a gênese
e o apocalipse
e como uma elipse seus passos
traçam um universo que é imenso
só porque somos quase nada ou
não descobrimos ainda
que podemos ser tudo
se sobrevivermos a nós mesmos

(R.Braga Herculano)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

(Ainda Sem Título)

Enquanto desenrola-se o asfalto
as rodas giram inconscientemente.

O sol rende a lua
e vice-versa.

O auto-rádio só chia
sua antena não capta nem sonho nem pesadelo
e nem mensagens dos que já se foram.

As rodas giram insconscientemente.
Os pés, nem tanto.

Apesar de fazerem apenas o que a mente ordena
enquanto o coração os tenta.

Os pés e os pedais são como a rêmora e o tubarão.

E a poeira e a estrela tentam alimentar a alma.

Na mente, tantos espaços vagos
outros campos abarrotados.

As montanhas estão sempre serenas
na tempestade ou não
e isso me mata de raiva.

(R.Braga Herculano)

(Ainda Sem Título)

A mudez involuntária de Baudelaire
em seu penúltimo ano de vida
inspirou de certa forma
a angústia que me invade
toda vez que me calo.

De vez em quando corto meu silêncio
com meu discurso ralo e cansado
obtuso, por certas vezes.

Repúdios, amarguras se tornam cartazes
embutidos no meu olhar
até que fecho meus olhos.

Estou com a alma trancada
minha mente engessou.

Meu coração, apenas de carne
solitário
chega à exaustão de si mesmo
quando imerge-se em lamentos seus.

(R.Braga Herculano)

(Ainda Sem Título)

De um lado a cruz os acolhe
De outro, a espada os demoniza.

Eis uma estrada seca
eis uma força
eis um céu cerrado a eles
eis uma forca
nos fios elétricos.

Elétricos choros dos desgraçados
que acompanham alguém que já foi
no vale dos espíritos abstratos
retratos
em sépia
traçados por um tempo ativo e cáustico.

Envolto em sorrisos plásticos
devotos de deuses perecíveis
alados e iluminados
a querosene e imaginação
tragando o fôlego dos aflitos.

Bebendo a essência de ser dos mais jovens
corroendo as vísceras dos mais velhos
e empreendendo cemitérios.

(R.Braga Herculano)

(Ainda Sem Título)

vejo todas as ruas
sendo engolidas
por uma tela enorme

a ponto de converter
a vida em um filme noir

(R.Braga Herculano)

(Ainda Sem Título)

"...E desconecta-se na palavra-pulso o eco
que dá impulso em cada verso
que lançado ao ar mutila-se
com as rebarbas afiadas nos leques extravagantes
da esperança alada e imponente
que enxota todos os absurdos
no absimo da realidade.

Mas ela pousa
cai em si
e pisa em falso."

(R.Braga Herculano)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

(Ainda Sem Título)

Oxida-se
a certeza
de vida corrente
fora desta porta
e as paredes
... não me convencem
serenidade
toda indiferença me compreende
covardia de concreto
silêncio!

Você sempre foi só
um elemento estranho
nesse arranjo de morta natureza
(R.Braga Herculano)

(Ainda Sem Título)

Sobre a linha na qual amarrei meu sentir
equilibra-se um coração um tanto tonto
quase certo de que é inútil tentar equilibrar-se.

Porque o abismo de mágoas já o espera.
... Magneticamente...

Involuntariamente...

(R.Braga Herculano)

(Ainda Sem Título)

"No branco desta folha
há uma doce e desculpada paz vadia.

Então decido estrangular-me à parte da mesma
para que eu não a macule com tragédias minhas..."
(R.Braga Herculano)