sábado, 15 de dezembro de 2007

E eis que vem ela e seu mar.
Mar de rosas?

Abismo puro!
Eu cuspo em todas elas.

São pra mim flores macabras, tenebrosas,
sórdidas.
Parecem flores de coroa da morte
e essa, claro, sempre há de indesejada ser.

Quanto aos meus muros
esses sim indestrutíveis
quero deixar meus girassóis e anjos à parte disso
prefiro ficar mudo ao dizer:
"eu te amo" platonicamente a alguém.

Eu não quero ninguém
eu não a quero
eu não quero você
eu nem me quereria se possível
e ponto final.

R.Braga Herculano.

NONSENSE NON STOP

non sense
non stop
alternância entre
mordaz
capaz
seco
sério
blasé
feliz
o longe
o por um triz.
a lucidez e o poema.
alterne também o real
transceda o abstrato
distorça as estradas
e torça para o nada
ser só uma pincelada
na tela da vida.
e viva!
por não morrer de amor por tudo!
constante
pulsante
não pare.
non sense
non stop
alternância entre
cético
místico
lúdico
lírico
crítico
político.
não se atire
dos precipícios para as entrelinhas dessa vida
e viva!
por não morrer de amor por nada.
ou quase nada
ou quase tudo
ou tudo.
non sense
non stop
(des)equilíbrio
(in)sensatez
elucubração em ação
essa sim sempre
há de ter sua vez.

R.Braga Herculano.

O ANJO MAGRO E ENLODADO DO EXTINTO JARDIM (OU 1944 PARTE II)

De onde viria?
nunca o vi em nenhum dos sete céus
Nunca o vi com sua própria luz
Sempre opaco
Quase desalado
Sua inércia já se perpetua.

A serenidade de seu semblante se bem dizer que é eterna.
Fica após passar palácios, teatros, tavernas,
igrejas, pessoas...

Sobrou só ele pra acompanhar Régine, que não chora mais tantpo assim.

R.Braga Herculano.

1944

Uma canção é sentida
entre rezas e fogo.
Nunca se entende por absoluto
esse jogo de valores e desvalores
no qual jogam ouro, sangue, terra, infâncias e juventudes.

De casa, só mesmo ruínas
mas Régine ainda tem seu violino
e dele sai ainda alguma vida
ainda que um tanto amarga.

O destino era lindo antes da guerra.

Ainda bem que ela ainda tem seu violino.

R.Braga Herculano.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O DIA DE HOJE

O dia hoje parece ser lindo,e se não parecesse... Meus olhos não podem mudar o tempo, mas ele pode fazer algo simplesmente mágico, sem se iludir ele pode ver tudo muito mais agradável. Pois todo mundo nasce sabendo que nada é desprovido de beleza, de bondade... Apenas meus olhos procuram não se esquecer disso.


R.Braga Herculano.

Maio 29, 2007.

sábado, 3 de novembro de 2007

!

I

As casas ainda que velhas,
ainda que tontas,
ainda que mortas
abrigam a morte
a tontura
e a velhice
como um conjunto de (des)ânimos
ou qualquer linha anormal do estado de espírito
ou ainda o que mais podemos tentar entender
além de imaginar o inimaginável.


II

Sê tu um louco,
caso perdido de um ser-vivo
resgatado pela mansão poética.

Sê tu um bravo,
que luta a grafites e penas
penumbras e suores da agonia dos males do séculos - pode ser
qualquer mal de qualquer século.
Aleatoriedade ou nova ordem,
será?
Aleatoriedade é termo pra quem ignora a nova ordem em vão.
Porque ela há de chegar
ela já está chegando.
Não há um dia dia definido
para a independência.

Sê tu um louco-morto-vivo-gênio
um míssil espirrando cogumelos de sal
Estátuas só sabem olhar e nada dizer
Sê tu não mais isso, sê tu um novo ser.

III

Um ébrio é o padrão do não
de quem diz sim para padrões.

IV

Explosivos, comas e vírgulas
contestações nas salas de aula
roubaram tantas rosas do canteiro da igreja
que ela está tão desflorada.
Deja vu após a cegueira por quase quatro segundos.
Quem foi que morreu aí?
Pneus nas rodas dos carros, pneus fora das rodas do carros
derretendo na demaracação do asfalto emborrachado, borrado de negro e pólvora
tomando o ar das misérias e afins.
Tamboreiros, camelôs e homens prata figuram a metrópole enquanto isso.
Será que tem pão no céu.
Morre gente todos os dias
de fome de carne, de pão, sangue e chumbo
de amor pela pátria
mas quem vive de pátria
de amor por alguém
mas quem tem a piedade de dar o seu amor a alguém?
Explosivos, comas e vírgulas
as vírgulas são as mais tenebrosas às vezes.

V

Relampejou entre cuspes e pigarros nos discursos
Tem gente que confia e acredita
é fé, desespero ou sonho?
Relampejou entre manifestos, cacetes e músicas de Vandré
enquanto isso.

VI

É triste essa guerra particular,
entre grupos religiosos
entre torcidas de futebol
entre cooperados e concursados em órgãos públicos
entre pai cachaceiro e filho gay
entre mãe pastora e filha neo-pagã fã de Mesfisto e Klaus Mann.
entre quem não está nem aí pra nada e o mesquinho que tudo quer e nada tem.
entre quem acredita em política e não entende nada dela e os descrentes que dela já beberam e cruzam os braços.

É triste essa guerra particular
até mesmo porque a fraqueza
é um conjuto de fragmentos futuros de grupos de fracos.

VIII

Deitado eternamente em berço esplêndido
deitado, deitado, deitado e cansado
o Brasil teve um futuro promissor.


IX

Quem é que sabe sorrir?
quem é que sabe amar?
Ninguém se manifesta
é o princípio da inércia, será?
O novo princípio da inércia, será?

X

Essa é por conta de quem ler e tiver algum ideal.
Ou se não tiver, feche o livro e desabafe.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

BIOSFERA

Éteres e pólvoras compõem a atmosfera.
Éteres e pólvoras compõem a atmosfera?
Éteres e pólvoras compõem a atmosfera!
Camada de vícios,
desmaios,
transes,
mortes,
guerras,
medos e dizem
que é a vida da esfera.
Sangue,
projéteis,
ossos,
terra,
terra
e mais terra.
Seria essa a biosfera?
Tanques,
vômitos,
gritos,
cogumelos,
átomos,
átonos
os outros reclamam pra ninguém
os outros já clamam pra ninguém
os outros se misturam com ninguém.
Camada de vícios,
desmaios,
transes,
mortes,
guerras,
medos
e dizem
que é a vida da esfera.
Sangue,
projéteis,
ossos,
terra,
terra
e mais terra.
Seria essa a biosfera?



R.Braga Herculano.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

ÊXTASE 2

êxtase


liberdade


pensamentos


verdades,


sabores,


poemas...







e o sopro do vento sempre.
soprando pra vida girar seus cataventos.
é a alegria de se mover
é a alegria de fazer
canção com tudo isso
é a alegria de rolar nas estrofes
alegria sim.


R.Braga Herculano

06/2002

Azul-petróleo é a cor do firmamento hoje. É que ele quase que de costume se veste do turvo da plúmbea cidade. Mas que diferença faz. Ela ficou presa na aurora e no marinho quase negro. Multicolorido ou não o céu a roubou de mim. "
R.BragaHerculano.


(Obs: Apenas o céu desse texto não é fictício)

ALAS

Se eu disser que vôo,
poderia me chamar de louco.
Mas o chão me joga pro alto,
ele não quer mais sentir meus pés.
E acho que sou morcego em vez de ser águia.
Porque vivo tão melhor acordado às noites.
Mas estou me sentindo bem.

R.Braga Herculano.